Aspetos anatómicos em crianças com complicações orbitárias devido a rinossinusite aguda

Autores

  • José Alberto Fernandes Unidade Local de Saúde São João, Porto, Portugal
  • Patrícia Sousa Unidade Local de Saúde São João, Porto, Portugal
  • António Andrade Unidade Local de Saúde São João, Porto, Portugal
  • Pedro Valente Unidade Local de Saúde São João, Porto, Portugal
  • Ricardo Vaz Unidade Local de Saúde São João, Porto, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.34631/sporl.3137

Palavras-chave:

rinosinusite aguda, complicações orbitárias, anatomia nasal, acidentes anatómicos, tomografia computorizada, criança

Resumo

Objetivo: Investigar a relação entre acidentes anatómicos identificados por tomografia computorizada (TC) e a gravidade das complicações orbitárias da rinossinusite aguda (RSA) em idade pediátrica.

Materiais e Métodos: Estudo retrospetivo realizado entre 2012 e 2022 em crianças com diagnóstico clínico e imagiológico de RSA complicada. Foram analisadas TC dos seios perinasais, avaliando-se o Índice de Lund-Mackay, a obstrução do complexo osteomeatal (COM) e a presença de acidentes anatómicos (agger nasi, concha bolhosa, células infraorbitárias e Onodi, desvio do septo nasal, hipertrofia dos cornetos inferiores e deiscência da lâmina papirácea). As complicações orbitárias foram classificadas segundo a escala de Chandler.

Resultados: Foram incluídas 86 crianças. Verificou-se uma diferença significativa no Índice de Lund-Mackay entre o lado com complicação (média: 6,3) e o contralateral (média: 4,7; p<0,001). A coexistência de dois ou mais acidentes anatómicos no lado com complicação foi significativamente mais frequente (p<0,01). Nenhum acidente anatómico isolado mostrou associação estatisticamente significativa com a gravidade clínica. A associação entre células de agger nasi, infraorbitárias e concha bolhosa correlacionou-se com maior gravidade de complicação orbitária (Chandler ≥ II; p=0.0431).

Conclusão: A presença combinada de determinados acidentes anatómicos — em particular células de agger nasi, células infraorbitárias e concha bolhosa — está associada a formas mais graves de complicações orbitárias em crianças com RSA. A avaliação detalhada por TC pode ser determinante na estratificação do risco e na definição precoce da abordagem terapêutica.

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Publicado

07-03-2026

Como Citar

Fernandes, J. A., Sousa, P. S., Andrade, A., Valente, P., & Vaz, R. (2026). Aspetos anatómicos em crianças com complicações orbitárias devido a rinossinusite aguda. Revista Portuguesa De Otorrinolaringologia-Cirurgia De Cabeça E Pescoço, 64(1), 71–77. https://doi.org/10.34631/sporl.3137

Edição

Secção

Artigo Original