Resultados auditivos na ossiculoplastia: comparação entre materiais com o Ear Environment Risk Score
DOI:
https://doi.org/10.34631/sporl.3168Palavras-chave:
Ossiculoplastia, Otite media crónicaResumo
Introdução: A otite média crónica cursa frequentemente com a destruição da cadeia ossicular, condicionando uma interrupção da condução entre a membrana timpânica e a janela oval. A ossiculoplastia procura reestabelecer a transmissão do som entre estas duas estruturas. A avaliação dos resultados auditivos das ossiculoplastias é dificultada pela heterogeneidade do ambiente do ouvido médio. O Ear Environment Risk (EER) score foi desenvolvido para estratificar este risco e permitir uma comparação mais objetiva dos resultados cirúrgicos.
Objetivos: Com este trabalho pretendemos avaliar o impacto que os materiais de reconstrução (autólogos vs titânio) têm nos resultados funcionais da ossiculoplastia utilizando uma abordagem ajustada ao EER.
Métodos: Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo com doentes submetidos a ossiculoplastia entre 2014 e 2024. O outcome primário foi a obtenção de um resultado auditivo tardio dentro do intervalo esperado segundo o EER, definido operacionalmente como um GAOm pós-operatório igual ou inferior ao Q3 reportado na coorte original de validação do EER para o respetivo grupo de risco. As comparações entre os materiais de reconstrução foram realizadas utilizando os testes qui-quadrado (χ²) ou exato de Fisher. Foi realizada uma regressão logística multivariável para avaliar a associação independente entre o material de reconstrução e o resultado, com ajuste para o tipo de ossiculoplastia (PORP vs TORP) e para a realização de mastoidectomia canal-wall down. Um modelo de sensibilidade secundário incluiu um ajuste adicional para a presença de colesteatoma.
Análises secundárias avaliaram os resultados precoces (<6 meses) versus tardios (>6 meses) e a estabilidade dos resultados ao longo do tempo por meio de uma análise de transição.
Resultados: Foram incluídos 120 ouvidos, dos quais 102 (85,0%) apresentavam audiograma pós-operatório tardio (≥6 meses). Em 76.5% dos casos foi obtido um resultado funcional dentro do esperado, sem diferença significativa entre reconstruções autóloga (71.2%) e de titânio (82.2%; p=0.197). Estes achados foram consistentes na análise por subgrupos. Na análise multivariável, o material de reconstrução não se associou de forma independente ao resultado funcional ajustado ao EER (OR ajustado 1,44; IC 95% 0,54–3,81). Os resultados mantiveram-se mesmo quando ajustados para o tipo de ossiculoplastia (PORP ou TORP) ou para a presença de uma cavidade de mastoidectomia radical. O ajuste adicional para a presença de colesteatoma não alterou significativamente os resultados. Os resultados funcionais precoces (em TI) baseados no EER não diferiram significativamente entre os materiais. A análise de transição nos 96 ouvidos com seguimento completo mostrou que 61,5% mantiveram resultados funcionais dentro do esperado no período pós-operatório precoce e o tardio. A distribuição global das transições de resultado funcional não diferiu significativamente entre os materiais (p=0,234).
Conclusões: A avaliação dos resultados auditivos através de uma abordagem ajustada ao EER revelou resultados comparáveis entre materiais autólogos e próteses de titânio.
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